sábado, 21 de agosto de 2010

Pampulha

Sexta feira, dia 20 de agosto, fomos à Pampulha com o intuito de conhecer parte da obra do nosso starchitect Oscar Niemeyer. As duas obras analisadas foram:

Museu de Arte da Pampulha



O prédio já chama a atenção dos visitantes desde o início, pois foi construído sobre um aclive artificial, às margens da lagoa da Pampulha, o que aumenta a imponência do lugar e, além disso, a sua arquitetura moderna (identificável pelo vão livre, tomado por vidraças, e pela cor exterior mais neutra) o diferencia das construções dos arredores. Essa imponência inicial, embora seja "coerente" (o prédio foi construído inicialmente com a intenção de funcionar como um local de encontro da elite econômica belorizontina), hoje em dia só faz aumentar a distância entre pessoas comuns e a arte contemporânea. Esse efeito, porém, é um pouco atenuado pela curiosidade que a sua arquitetura modernista causa.

Na entrada principal, a marquise mais extensa que o normal e as vidraças tornam os conceitos de público e privado mais flutuantes, pois vislumbrando com facilidade tanto o exterior quanto o interior do prédio se torna mais difícil afirmar com precisão se se está dentro (privado) ou fora (público). Essa osciliação de sentimentos é causada também pela escada exterior, protegida contra as adversidades climáticas por uma "parede" de vidro.

Para analisar o interior, é necessário destacar que inicialmente o prédio funcionou como um cassino, ou seja, um lugar de transgressão (do ponto de vista atual, dado que a jogatina foi proibida) e intensa socialização. Levando isso em consideração, é possível afirmar que Niemeyer foi extremamente feliz ao cobrir uma das paredes com espelhos (além de permitir que as pessoas vissem umas às outras, também cobria a área de serviços, separando-a do ambiente mais glamouroso do salão principal) e as rampas (que aumentavam ainda mais o alcance ocular) com alabastro. A escolha dos materias, juntamente com as curvas do prédio, também mostra como Niemeyer soube adotar algumas ideias do Modernismo sem perder a sua identidade brasileira, criando dessa forma um estilo único.

O cuidado de Niemeyer com o espaço encanta: materiais diferentes são usados para que a transição de ambientes seja intensamente experenciada; o uso de azulejos em um dos lados exteriores demonstra o seu apego à tradição; o banheiro feminino apresenta um espaço para que as mulheres possam conversar enquanto se maqueiam ou ajustam o penteado;
as curvas se convertem em retas abruptamente, causando surpresa; placas acolchoadas (ou que pelo menos passam essa impressão) no salão de teatro criam desenhos ao manipular a luz que entra pelas vidraças, além de contribuir acusticamente.

O jardim externo foi projetado por Burle Marx e, como uma pintura de van Gogh, distingue cores e texturas. O ambiente se tornou extremamente convidaditivo a partir de uma mistura caótica.

Há, entretanto, alguns pontos negativos que devem ser destacados: não houve preocupação em criar um espaço externo para os funcionários no projeto inicial (posteriormente, um banco teve que ser colocado num espaço vazio mais ou menos escondido entre o jardim e o prédio) e, além disso, não há muita polivalência, pois o prédio deixa a desejar como museu.

Casa do Baile



Na Casa do Baile há elementos que também são encontrados no Museu de Arte da Pampulha (Modernismo, curvas de Niemeyer, azulejos, jardim colorido de Burle Marx), mas neste caso eles se unem à lagoa (muito mais próxima) para criar um ambiente mais simples e aconchegante.

Vale destacar que Niemeyer usou um recurso inovador para esconder a área de serviços ao localizá-la entre dois círculos com centros diferentes.

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