quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hélio Oiticica



Hélio Oiticica foi um artista contemporâneo carioca, nascido em 26 de julho de 1937, que se envolveu com várias modalidades artísticas, como pintura, escultura e performance e inspirou-se na lógica anarquista de valorização de uma postura de contestação de valores impostos, pregada por seu avô José Oiticica, professor e filólogo brasileiro, autor do livro O anarquismo ao alcance de todos (1945), para criar obras de arte inovadoras e experimentais.

Sempre conviveu com a arte, pois o seu pai, José Oiticica Filho, era fotógrafo profissional. Além disso, passou dois anos da sua infância em Washington, o que permitiu que ele visitasse alguns dos museus de arte mais bem conceituados do mundo. Assim, a sua aproximação com a arte foi um processo natural e a sua iniciação como artista se deu ainda cedo, quando, incentivado por sua tia, a atriz Sônia Oiticica, começou a escrever e a traduzir peças de teatro, encenadas juntamente com os seus irmãos.

Iniciou a sua trajetória artística no Grupo Frente, formado por Ivan Serpa e seus alunos, que procurava aplicar os conceitos do movimento concretista, de negação à abstração lírica e valorização da racionalidade, nas artes plásticas brasileiras. Na sua primeira exposição, encontram-se pinturas geométricas sob guache e cartão, o que mostra a sua adesão inicial ao Concretismo.



No início dos anos 60, ocorre uma cisão no Movimento Concreto e surge o Movimento Neoconcreto, pois alguns artistas, entre os quais Hélio Oiticica, passaram a contestar a exagerada tendência técnico-científica do movimento e o abandono da poesia, da sensibilidade do artista.

Esse rompimento com a geometria absoluta e a sua aproximação da cultura popular brasileira (passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira) desencadearam um processo de contestação dos conceitos pré-estabelecidos do que é arte e da relação desta com o indíviduo que culminou na concepção de algumas das suas criações mais geniais e polêmicas.

Entre essas criações, destaca-se o Parangolé, "uma espécie de capa (ou bandeira, estandarte ou tenda) que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, texturas, grafismos e textos (mensagens como “Incorporo a Revolta” e “Estou Possuido”), e os materiais com que é executado (tecido, borracha, tinta, papel, vidro, cola, plástico, corda, palha) a partir dos movimentos de alguém que o vista". Com essa escultura móvel, levanta a ideia de que a arte é a interação entre o objeto e o indivíduo e a experiência que essa interação suscita, e não o objeto exposto na parede da galeria que deve ser observado de maneira estática.



Outra obra que eu gostaria de destacar, não por sintetizar as suas ideias de discussão da arte, mas por sintetizar a sua personalidade e porque foi a partir daí que eu conheci o seu trabalho, é a homenagem póstuma a seu amigo de roda de samba, o traficante Cara de Cavalo, assassinado brutalmente por policiais. Em um estandarte, estampou a imagem do Cara de Cavalo com a frase "Seja marginal, seja herói.". O seu protesto foi encarado pela sociedade conservadora da época como uma forma de tornar o crime mais glamouroso. Para mim, é uma homenagem não só ao Cara de Cavalo, como a todos os outsiders - pessoas que procuram viver à margem do que é considerado normal pelo senso comum, simplesmente por não se satisfazerem com a mediocridade do que é tido como normal.

Performance (espaço urbano)

http://www.youtube.com/watch?v=vPaiP8nWy-M

domingo, 12 de setembro de 2010

Estratégias de Apropriação do Espaço

Parkour:

"Parkour é uma arte do deslocamento. É utilizar uma série de habilidades do corpo humano em conjunto para dominar o ambiente em sua totalidade, de forma a conseguir se movimentar passando por obstáculos no seu caminho. Isso se traduz em treinamento de habilidades como escaladas, pulos, equilíbrio, corrida em infinitas possibilidades de combinações utilizando apenas o corpo como ferramenta, e sempre visando a preservação da integridade física em primeiro lugar."

Fonte: http://www.parkour.com.br/tudo-sobre-parkour/

Flash Mob:

"Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social."

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Flash_mob

Deriva:

"A teoria da deriva é um dos trabalhos de autoria do pensador situacionista Guy Debord.
A deriva é um procedimento de estudo psicogeográfico – estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É sempre interessante construir um mapa do percurso traçado, esse mapa deve acompanhar anotações que irão indicar quais as motivações que construiu determinado traçado. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total."

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_deriva

Flaneur:

Flâneur é um termo derivado da palavra francesa flâneur, que significa andarilho e designa o indivíduo que caminha pela cidade com a disposição de a observar e a vivenciar, tornando a caminhada uma experiência rica para os sentidos e para a mente e não apenas uma atividade física qualquer.

Na arquitetura, o termo se refere ao transeunte que é afetado de forma indireta e inconsciente pelo design de algum prédio.

http://en.wikipedia.org/wiki/Flaneur

FAD



A ideia do FAD, exposição exibida no Espaço Oi Futuro, é mostrar como as novas tecnologias, geralmente usadas na produção industrial de aparelhos eletrônicos com os quais as pessoas interagem de forma estática (sentar-se à frente da televisão é um exemplo dessas interações tradicionais), podem também ser usadas para criar arte e novas formas de interação que tornem as pessoas mais críticas a respeito da sua importância na construção de uma sociedade automatizada (porque não é possível ignorar os efeitos positivos da tecnologia), porém humana.

Dentre as instalações, destaco a instalação com pick up (instrumento utilizado por DJ's para produzir música eletrônica), que permite que o visitante deixe de ser um mero observador e passe a ser, por alguns instantes, um artista, além de aumentar a percepção da música eletrônica como arte e não apenas como entretenimento; e a instalação com luzes que se acendem a partir de barulhos feitos pelos visitantes. Ambas podem ser melhor visualizadas nas fotos postadas.

SketchUp (Grupo) - Versão final

Um pouco mais de realismo.